Domingo, 23 de Outubro de 2005

- A "crise" de Espanha


A "crise" de Espanha

João Marques de Almeida


Aparentemente, tudo corre bem em Espanha, no momento em que muita coisa
corre mal na Alemanha e em França.



Quando se fala das crises na Europa, raramente se fala de Espanha. A
economia espanhola continua a crescer a um ritmo superior ao do seu vizinho

do norte e de outras potências da União, como a Alemanha e a Itália. De tal

modo que há quem fale do "milagre económico espanhol". O desenvolvimento
económico tem sido acompanhado por uma política externa agressiva,
provocando o aumento da influência diplomática espanhola, quer na Europa,

como noutras regiões, nomeadamente na América Latina. Também neste caso,
muitos referem-se a Espanha como uma potência europeia emergente.

Aparentemente, tudo corre bem em Espanha, no momento em que muita coisa
corre mal na Alemanha e em França.


No entanto, as boas aparências escondem os pontos mais preocupantes de uma

realidade espanhola desigual. Está a aparecer no país vizinho uma combinação

de factores que pode causar uma grave crise do Estado, cujas consequências

não se podem prever. Apesar da integração europeia, os cidadãos continuam a

exigir que o seu Estado cumpra, entre outras, três tarefas essenciais:

garantir a sua segurança interna, proteger as fronteiras nacionais
(principalmente as que são também europeias) e manter a unidade nacional. Se

se perceber que o Estado falha nalguma destas obrigações, ou em todas, há

uma crise séria.



Antes de mais, a questão da unidade nacional espanhola passou a ser
discutível, no sentido em que se tornou objecto de redefinição. A
auto-definição da Catalunha como uma "nação" questiona não só a
indivisibilidade da nação espanhola, consagrada na Constituição do país,
como a solidariedade nacional. Em primeiro lugar, como reconheceu o
primeiro-ministro espanhol, o problema não é meramente constitucional,
possível de ser resolvido com uma revisão da Constituição. Estamos perante

um problema de identidade nacional: a maioria dos catalães não só se
considera diferente dos restantes espanhóis, como, e mais importante, está a

deixar de se identificar como espanhol. A questão identitária é agravada por

um problema económico. Sendo a região mais produtiva e rica de Espanha, a

Catalunha quer mais autonomia para decidir sobre o destino das suas receitas

financeiras. Esta pretensão significa uma rejeição da unidade económica
nacional nos termos actuais.



A história moderna das auto-determinações nacionais demonstra que a mistura

entre identidades culturais e nacionalismos económicos pode ter
consequências incontroláveis. Além do mais, a natureza pacífica e
democrática do processo catalão agrava as dificuldades de resposta do Estado

espanhol. Se o "nacionalismo catalão" for reconhecido politicamente, os
efeitos serão sentidos rapidamente no país Basco e, provavelmente, na
Galiza.



Para além da questão nacional, o Estado espanhol enfrenta um desafio
igualmente grave nas suas fronteiras do norte de África, em Ceuta e Melilla.


Neste caso, há dois pontos que devem ser destacados. Por um lado, a
vulnerabilidade destas fronteiras perante a concentração de população vinda

de uma extensa área do continente africano. Por outro lado, o facto de duas

cidades espanholas, localizadas em África, estarem fechadas aos africanos

pode criar problemas políticos complicados. Os sites dos grupos radicais
islâmicos começam a referir-se, com maior insistência, à "ocupação
espanhola" de "territórios muçulmanos", e apontam a Espanha como um alvo
central na luta contra o "infiel Cristão". Se à incapacidade de manter a
"indivisibilidade da nação espanhola", se juntar a vulnerabilidade das
fronteiras externas e a fragilidade perante grupos terroristas islâmicos, a

Espanha poderá enfrentar uma crise muito complicada nos próximos tempos.

Seria útil que em Portugal se reflectisse seriamente sobre isto, e se
controlasse a tendência para euforias despropositadas.

 




João Marques de Almeida é director do Instituto de Defesa
Nacional e assina
esta coluna semanalmente à segunda-feira.

 

Jornal de Olivença editou às 18:31

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1 comentário:
De Anónimo a 26 de Outubro de 2005 às 16:08
Se ajudarem os Espanhóis eles em Troca dão-vos Olivença. Lembra-te que "Não Há Almoços Grátis Para Ninguém". E depois o Governo Português tem de aumentar o SALÁRIO MÍNIMO para o valor do que é pago em Olivença.

Aqui vai a ajuda para os Espanhóis.

ETA versus MARIDOS! ? Quem, nos últimos quarenta (40) anos, é que matou mais Espanhóis/las? A ETA ou os Maridos delas?José da Silva Maurício
</a>
(mailto:mauricio_102@sapo.pt)

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